domingo, 9 de junho de 2013
MULHERES & DEUSAS : A MÃE - A UNIÃO DE TODOS OS ELEMENTOS
MULHERES & DEUSAS : A MÃE - A UNIÃO DE TODOS OS ELEMENTOS: "A Deusa é a Consciência que permite todas as coisas. É a fonte que mantém a união dos elementos, e liga toda a criação.” "A...
Rompendo o Ciclo de Carência - Uma mensagem de Karen Downing - 7 de Junho de 2013
Muitos indivíduos se sentem desorientados, ou como se uma mudança de direção estivesse ocorrendo. O que está acontecendo?
É a liberação final dos pensamentos de carência. Assim, muitas pessoas estiveram se sentindo como se elas estivessem passando por uma grande mudança de vida, ou até mesmo como se elas estivessem presas a um padrão de retenção. Isto é porque você está em um momento em que está pronto para deixar ir todos os sentimentos de falta em sua vida. Pode ser falta de confiança, falta de fé, falta se merecimento...
Tudo o que está ocorrendo em torno de você neste momento está refletindo o que você sente falta em sua vida. Esta crença está em um nível subconsciente muito profundo, e pode não ser óbvio para você imediatamente. Uma maneira com que esta energia está atuando para muitas pessoas, tem a ver com o fato de se sentir como se você não estivesse no controle do que está acontecendo em sua vida; isto é um sintoma de falta de confiança. Pois quando você tem falta de confiança no espírito, em Deus e em si mesmo, então esta falta se traduz em perder partes valiosas de intuição e orientação.
Cada pessoa no planeta teve sentimentos de carência em alguma parte de sua vida. Os sentimentos de carência vêm do condicionamento social de que nunca haverá o suficiente. No entanto, o Universo proporciona mais do que o suficiente, contanto que você acredite que seja assim. Se você sente que está lutando em criar mais em sua vida, observe estes sentimentos de carência. Se você sente que não pode, ou que não será capaz de atrair algo para a sua vida quando precisar, então, definitivamente, você está lutando contra esta energia de carência.
Assim, a próxima pergunta que você tem é: De onde vem isto e como eu posso liberar isto? Esta energia de falta vem de duas fontes. A primeira fonte é o condicionamento social que ocorre ao longo dos séculos. Um sistema de crenças condicionado que fundamenta a percepção de valor sobre aqueles que têm e aqueles que não têm. A segunda fonte desta crença de falta é a sua própria padronização de vidas passadas. Há muitos padrões diferentes de comportamentos que vêm de suas vidas passadas e se você não compreendê-los, eles podem criar desafios para você hoje. Quando você puder compreender os seus padrões específicos de vidas passadas, você pode começar a liberá-los definitivamente.
Para transformar o pensamento de falta e converter para a verdadeira expansão da criação, você precisará deixar ir estas velhas crenças. Há muitas maneiras maravilhosas de fazer isto, tais como leituras de vidas passadas, regressões de vidas passadas, afirmações, terapia com cristais, fazer um diário, meditação. Não é necessário que você se apegue mais a crenças novas. Seja o que for que esteja acontecendo em sua vida, tente encará-la como uma chave para destrancar a porta da carência. Pois, do outro lado da porta está a criação verdadeira e ilimitada! Entretanto, se você não puder encontrar a chave certa, então esta porta o impedirá de aceitar tudo o que você pode realizar.
Com amor,
Aurora
Direitos Autorais:
www.aurorasmessage.com
Tradução: Regina Drumond
Retirado do blog: http://cassiaderesenderixse.blogspot.pt/2013/06/seja-o-que-for-que-esteja-acontecendo.html
Imagem retirada da net
sexta-feira, 7 de junho de 2013
Eu Sou - Sagrado Feminino

Eu Sou - Sagrado Feminino - (Allys Madron) "Eu sou a Deusa de dez mil nomes e infinitas possibilidades... Eu danço e com meu corpo traço a magia de Ser e Existir... Minha cabeça se movimenta como a SERPENTE que é o meu símbolo... Sou SERPENTE... sinuosa, escorregadia, misteriosa... vivo na mente dos homens e nem por isso sou conhecida... sou temida, pois desconhecem minha força... troco de pele e com isso renasço... Tenho asas... os meus BRAÇOS se estendem em todas as direções, expandindo minha energia, me levando para todos os lugares... sou pássaro que voa sem destino, sou serpente que chega aonde quer... Tenho em mim o segredo dos elementos, minhas MÃOS dão e recebem de acordo com minha vontade... doar... reter... receber... ações determinadas por mim, de acordo com o momento... mas sempre... sempre... interagir... ser uma em tudo... Os meus SEIOS despertam o desejo e saciam a vontade dos homens, sou o leite que dá a vida, e em mim todos encontram o ritmo perfeito de Morgana das fadas... mesmo em um leve movimentar de OMBROS... O meu VENTRE... ele é o caldeirão do conhecimento, chave dos tesouros, dos mistérios, dos prazeres escondidos... mas para chegar até ele, não tente ir em linha reta... não sou racional... me procure na SINUOSIDADE dos movimentos da terra, o meu corpo é a própria terra... Em movimentos eu me entrego e me faço querer... Se estiver pronta, me siga... deixo através de meus PÉS cada pegada marcada, ensinando a você como chegar até mim... e quando me encontrar, esteja preparada para olhar em meus OLHOS... pois são eles o portal para o meu mundo... Lá, encontrará o CORRER DAS ÁGUAS... o DESPERTAR DO FOGO... e então, você poderá dizer se conhece ou não a FORÇA DA MÃE TERRA".
Retirado do blog: Deusa Solar
Fonte: http://www.abrawicca.com.br
Imagem retirada da net.
" A Rainha da Noite..." - Sagrado e Eterno Feminino
(…)
"Eu sou a Rainha da Noite, por assim dizer, a parte mais sombria do eterno feminino. Desde a origem do universo, que eu elegi o meu reino nas profundezas da Terra. Se tomei o rosto do mal para os teus irmãos é porque eles não podiam compreender o meu grito, o aguilhão do meu sofrimento. Porque desde há muito, muito tempo que o psiquismo do homem impede os raios do sol de penetrar até aqui.
“Para que a grande alquimia seja possível, a Mãe deu-se ao mundo. Ela está presente em todo o lado, em todos os planos da manifestação. A missão do homem, a tua missão, é unir o eterno feminino das profundezas, Àquela que reina nos Céus na sua glória eterna. É tempo que a tua bem-amada reencontre para ti o seu corpo único!
“Sim, tu amas-me belo Cavaleiro. É o meu rosto que assombra as tuas noites. Mas aquela que eu sou agora, não sou eu inteira, e o meu corpo de carne que acorda em ti tamanho desejo no teu não pode estar vestido senão de negro. E este não se assemelha a um vestido de noiva, não te parece?”
(…)
A mulher diz:
- Meu amor, desde há tanto que eu viajo pelo mundo! E hoje enfim inteira encontrei-te! Através de todas as mulheres da Terra eu estive sempre presente e te procurei, Cavaleiro. Eu procurei por todas as vias, de todas as formas possíveis. Eu perdi-me em múltiplos impasses, eu morri incontáveis vezes. Nas que procurei um sentido da vida abri-me, e quase flori. Nas que me dava inteiramente a Deus, encontrei um bálsamo. Mas não estava ainda reunificada, e a Rainha da Noite era prisioneira neste corpo votado à morte: mas desde sempre eu esperava por desfrutar e provar com Adam o fruto da Árvore da Vida.
E se por vezes encontrei caminhos ensolarados, sofri, meu bem-amado. Também eu caí em múltiplas armadilhas, também eu esqueci a Fonte vergada pelo peso do psiquismo.
Ó, como nós nos combatemos, meu amor, como nós nos despedaçamos nessas relações de força incessante! Como nós sofremos de não nos podermos entender!
E na terrível dor desta parte de mim que chorava nas minhas profundezas não conseguia fazer-me compreender e julguei-me esquecida até de Deus. E depois tu vieste, e eu reconheci-te, meu amor. Em ti nascem os primeiros raios do grande Sol que fez estremecer a minha alma há dois mil anos. Tu ainda não o sabias. Em ti um ser novo aspirava à vida, uma mutação começava e sacudia os escombros do velho mundo. Então o Espírito do meu ser veio buscar-te, em Tsaddé e Pe. Em Yehudith eu fui a iniciadora, que tu soubeste reconhecer e aceitar. E no meu corpo o mais secreto, o mais negro, tu me amaste….
Homem nós estamos bem próximos do Castelo do Graal onde resplandece o sangue luz na Taça santa. Nós entraremos nele os dois juntos! (…)
(Excertos traduzidos do francês por RLP)
d'O Livro:
RECONTRES AVEC LA SPLENDEUR
de Marie ELIA, pag. 294/5
retirado do blog: Mulheres e Deusas
Autor da Imagem: Yuri Yarosh
Mulheres, Resguardem o vosso útero! - Rosa Leonor
"Através de nossas emoções alimentamos outros seres.
Os predadores criam traumas emocionais que sustentam um determinado padrão de energia que permite a sua subsistência. Precisamos cortar-lhes a comida.
Precisamos deixar de sentir medo.
Por aí dá para perceber porque as religiões teístas e patriarcais perseguiram e perseguem o feminino até hoje. A mulher não está tão sujeita ao predador como o homem, então teve que ser sujeitada pela força. A caixa de percepção que é o útero feminino deve que ser domado pela força, pelo preconceito, pela repressão, pelo rebaixamento da mulher e pela proibição dela como sacerdortisa. Não há mulheres ocupando posições de destaque no Judaísmo, no Cristianismo e no Islamismo, as 3 grandes religiões do mundo.
Por aí dá para perceber porque fomos afastados do mundo natural, da natureza e fomos trancafiados em grandes cidades, em enormes humaneiros, onde homens não são mais seres humanos, não são mais mamíferos em... harmonia com o meio, são parasitas que se reproduzem destruindo tudo a sua volta. Tal comportamento é reflexo da mente alienígena do predador.
A humanidade atual foi feita à imagem e semelhança do predador.
Por aí podemos perceber porque a agenda de destruição do planeta em ação há séculos. Afinal de contas porque humanos conspirariam contra humanos e contra si mesmos? A essência da dominação consiste em dividir os dominados para assenhorar-se deles. Notem que em torno da Bíblia existem 3 grandes religiões patriarcais e teístas, que lutam entre si pelo rebanho e que estão divididas em milhares de seitas, facções e igrejas, e que no suposto lugar do túmulo de Cristo existem dois túmulos (relativos a diferentes seitas) e vários altares.
Para a mente é difícil acreditar nisso, mas é porque esta mente não é nossa de fato, por isso não temos nenhum controle sobre ela. Já tentou ficar 2 minutos sem pensar? "(...)*
Retirado do blog : Mulheres e Deusas
Autoria da Imagem : Percy Jackson
terça-feira, 4 de junho de 2013
Conto: “ O Cavaleiro e a Pedra da Felicidade” – 3ª Parte – Final
Já tinha entrado nas portas da cidade quando percebeu que algo havia acontecido. As pessoas reuniam-se em grupinhos, murmurando ou até vozeando com vivacidade. Mais preocupado ficou quando viu Shabnan vir ao seu encontro, rodeada de alguns escravos.
- Adolfo foi capturado e vai ser apresentado num leilão de escravos. – Comunicou Shabnan a meia voz e antes que Ivanoel perguntasse o porquê, ela informou que o rumor da sua condição feminina e masculina se espalhara e como escravo ele valia uma fortuna. Sobressaltado, correu para a tenda gigante no centro da cidade, onde decorriam os leilões de escravos.
Naquele momento ainda licitavam Adolfo e as ofertas eram absurdamente altas. Ivanoel jamais poderia acompanhar ou travar tais paradas.
Tentou dissuadir os mercadores mas estes afastavam-no rudemente. Num ponto estratégico viu o Sultão do reino vizinho e o seu grande séquito, ricamente trajados. Tentou chegar-lhe e pedir-lhe clemência mas foi barrado e até expulso da tenda.
Adolfo acabou por ser comprado pelo dito sultão.
O moreno cavaleiro regressou a casa de Navid e este e Shabnan esperavam-no.
- Nada podeis contra o Sultão, caro amigo Ivanoel. – Garantiu Navid – Mas talvez Shabnan vos possa ajudar.
Esta retirou-se por minutos para os seus aposentos e surgiu com duas moedas de ouro pequenas.
- Levai estas moedas e colocai uma na boca – Informou a formosíssima mulher – Ficareis invisível e podereis entrar no palácio do Sultão e procurar Adolfo.
Ivanoel assim fez, cavalgou até ao reino vizinho e facilmente entrou no palácio do Sultão sorrateiramente. Procurou-o nas masmorras sem sucesso. Percorreu algumas partes do palácio sem o encontrar. Então lembrou-se. Procurou na ala das mulheres e acabou por descobrir Aegle ricamente trajada, sobre um leito. Parecia calma mas com vestígios de lágrimas no seu rosto. O cavaleiro acercou-se dos véus de musselina que circundavam a alcova e tirou a moeda da boca. Os olhos de Aegle brilharam ao ver Ivanoel. Este instou-a ao silêncio e deu-lhe a moeda explicando-lhe tudo num sussurro. Meia hora depois estavam fora do palácio. Chegaram às portas da cidade e à casa de Navid antes de amanhecer.
Shabnan aguardava-os ansiosa. Após as congratulações, ela perguntou pela Pedra e Ivanoel mostrou-a contando o que dissera o Guardião da Pedra. Aegle tomou-a nas mãos e afagou-a tristemente. Inesperadamente viu-se uma luz cintilante e surgiu um ancião muito semelhante ao Guardião que Ivanoel vira. O ancião sorriu bondosamente para todos e olhando para Ivanoel dirigiu-se-lhe com indulgência:
- Meu filho, vejo que já experienciaste mais aventuras após vos terdes despedido de mim. A Pedra da Felicidade é activada pelo Amor, como sabeis. Chegou a hora de escolherdes com o coração. Chegou a hora do resgate desta Graciosa Dama. Caso Aegle se torne mulher, o vosso amigo Adolfo desaparecerá para sempre mas Aegle terá uma oportunidade de ser feliz.
Ivanoel hesitou, balbuciando:
- Adoro Adolfo…Meu Amigo... Companheiro de Armas como nunca tive… Dói-me perdê-lo… Não posso escolher…O meu sentimento vai para Shabnan… no entanto… não desejo prejudicar esta dama que já passou por muito…
-Pois, eu escolho ficar para sempre como Adolfo! – Interrompeu Aegle com intensidade. – A vida sorri-me mais como cavaleiro e como vivo só, é-me mais vantajoso ficar assim… E assim também não perdereis o vosso amigo…
- Nobre Dama, não cometais tal desvario! – Exclamou Ivanoel protestando alvoroçado mas sem no entanto conseguir dissuadir Aegle.- Não o façais por minha causa!
- Não, Cavaleiro! Faço-o por minha!
Então o ancião sorriu de forma indulgente e proferiu em tom firme:
- Que se faça consoante a vossa vontade, minha filha!
E naquele momento Aegle ficou transformada em Adolfo para sempre.
Ivanoel pedira Shabnan em casamento e os preparativos já tinham arrancado. Adolfo mostrava-se seu amigo fiel e, fora algumas sombras de tristeza no olhar, parecia aceitar o destino com resignação e coragem. Afastara-se discretamente do convívio com Shabnan e no presente momento as mulheres mal se falavam ou olhavam.
Ivanoel às vezes mirava-o disfarçadamente, sondando o estado de espírito do franzino cavaleiro, porém também observando a sua figura frágil mas masculina. Preocupava-se com o amigo e ao mesmo tempo sentia-se estranho pois a existência de Adolfo de facto parecia ilusória e a pessoa que ele encarava era uma mulher na realidade.
- Porque me olhais? Acaso não vos pareço autêntico? – Adolfo parecia adivinhar os pensamentos do amigo.
- Isto é demasiado confuso para mim. Sempre adorei Adolfo, mas agora… Sempre que vos olho sei que está aí uma mulher… e tudo fica confuso.
- Sou vosso Amigo. – Frisou Adolfo- O resto perde-se nas brumas do passado.
Ivanoel suspirou e abanou a cabeça como que para afastar dúvidas. – Muito bem, Cavaleiro Adolfo, bebamos então como dois bons comparsas.
E assim tentaram manter um clima ameno até ao dia do casamento. As bodas celebraram-se com grande fausto. Tanto Shabnan como Ivanoel trajaram maravilhosas vestimentas de brocado e seda. Grandes festejos tiveram lugar, onde foram servidas opíparas iguarias.
Adolfo olhava distraidamente para as bailarinas quase desnudas que o tentavam seduzir. Sentia-se um pouco ébrio. No entanto o roçagar das musselinas na sua cintura fê-lo despertar. Era tarde e aquele era o sinal que lhe mostrava que estava na hora de se retirar.
Adolfo não tinha reparado que Shabnan e Ivanoel se tinham retirado há algum tempo. Fizera por não reparar nisso. Sentia o seu coração seco, onde a dor já nem sequer ressoava.
De repente ouviu um rumor vindo dos aposentos nupciais. Escapuliu-se para trás de uma gelosia, escutando.
Meia hora antes os recém-casados haviam-se retirado para os seus novos aposentos. Namoriscavam em cima da alcova entre risos e sussurros e Ivanoel brincava com as jóias da sua nova esposa, dispersando-as pelo corpo de Shabnan. Esta, a certa altura, pediu-lhe para usar a Pedra da Felicidade. O cavaleiro fitou-a um pouco surpreso mas acedeu. Levantou-se e abeirou-se dum cofrezinho diminuto, todo cravejado a pedras preciosas. Aegle após a transformação não quisera usar mais a Pedra e então o moreno Cavaleiro guardara-a. Mal este abrira-o, Shabnan atirou-lhe com água à cara e proferiu:
- Incauto! Deixai a vossa forma original para vos converterdes numa ave!
E no lugar de Ivanoel surgiu uma ave. Adolfo escutara e observara tudo horrorizado. Shabnan prendeu Ivanoel numa gaiola de ferro e ausentou-se. O cavaleiro franzino saiu do seu esconderijo e tentou abrir a gaiola mas foi em vão. Provavelmente era uma gaiola mágica. Olhou para o cofrezinho mas a Pedra já não se encontrava mais lá. E agora o que fazia? Angustiado foi para os seus aposentos pensativo. Enquanto pensava, foi rodando a moeda de ouro que Ivanoel lhe dera para o salvar do palácio do Sultão. Uma nuvem formou-se e surgiu um ser dessa nuvem.
- Sou um génio. Estou ao vosso dispor.
- Ohhh, um génio?... - Admirou-se Adolfo. – Gostava de vos pedir se podeis transformar Ivanoel de novo em Homem?
- Poderei libertá-lo da gaiola mágica mas para o transformar só através da ação da mão humana. No entanto vos direi como fazê-lo. Ide ao poço que já conheceis e descei pondo a moeda na boca e mergulhai. Não precisais de recear perecer pois isso não vos acontecerá. Ide até ao fundo do poço onde vereis uma argola de ferro. Puxai-a e a tampa se abrirá. Descei pelas escadas que encontrardes e vereis um jardim, procurai uma pereira e colhei uma. Fazei o caminho de volta sem vos deterdes com nada. Fugi do pássaro de asas de prata caso este apareça pois é o seu poder que prende o vosso amigo cavaleiro. Se vos atacar, dai-lhe uma espiga de milho que encontrardes no jardim.
Adolfo assim fez. Foi até ao poço e seguiu as instruções do Génio sem dificuldade. No início fez-lhe impressão mergulhar mas verificou não haver problema em respirar dentro de água. Também se surpreendeu após abrir a tampa de pedra no fundo do poço, de nenhuma água verter para o subterrâneo. Desceu as escadas para o jardim e rapidamente encontrou a pereira. Já fazia o caminho de volta quando surgiu uma enorme ave de asas de prata. A ave fazia voos rasantes e o Cavaleiro teve que abrigar-se debaixo duma árvore. Procurou a espiga de milho e com alguma dificuldade encontrou-a e atirou-a para longe. A ave voou como uma flecha para onde estava a espiga e desatou a comer o milho, distraindo-se. Assim Adolfo conseguiu fazer o caminho de volta.
Chegou à casa de Navid, mas viu a sua oportunidade de entrar nos aposentos onde estava a gaiola, goradas pela presença de Shabnan.
Aliás, durante dias Adolfo não conseguiu entrar nos aposentos do casal pois Shabnan fechava a porta à chave. Adolfo estava a desesperar.
Entretanto era forçado a conviver com ela, diariamente.
Após Shabnan ter transformado Ivanoel numa ave, o seu comportamento mudara visivelmente. Estava mais expansiva e inclusivamente, tentava aproximar-se de Adolfo. Mais, insinuava-se a ele. Adolfo recuava sempre e num momento que Shabnan quase o beijara, Adolfo exclamou:
- Porque me tentais? Acaso não vos lembrais da minha verdadeira natureza?
- Eu olho para vós e só vejo um homem. Um homem que ainda não descobriu que é homem.
Adolfo sentiu-se constrangido e retirou-se.
Resistia em ter intimidades com qualquer mulher mas desde a transformação sentia-se diferente.
Até que uma tarde Shabnan ausentou-se de casa e Adolfo esgueirou-se para os aposentos do casal. O seu coração apertou-se quando viu que a gaiola não estava lá.
-Procurais algo? – A voz de Shabnan fez-se ouvir inesperadamente, sobressaltando Adolfo.
- Es… esperava… Por vós… - Balbuciou ele dizendo a primeira coisa que lhe ocorrera.
- Ah, o doce Adolfo finalmente decidiu assumir a sua virilidade! – Replicou ela sorrindo sedutoramente. Adolfo pestanejou corando.
- É… - respondeu ele por fim, deixando que Shabnan o beijasse. Deixou-se ir na esperança de adormecer qualquer desconfiança de Shabnan e de descobrir o paradeiro de Ivanoel.
A noite já caíra quando Adolfo pediu a Shabnan um chá. Esta ausentou-se diligente e nesse instante Adolfo convocou o génio da moeda.
- Encontrai rapidamente a gaiola e levai a pera pois encontro-me impossibilitado de sair daqui e desconheço o paradeiro de Ivanoel. – Pediu o cavaleiro ao génio que acedeu prontamente. Shabnan entrou com o chá e Adolfo, num momento de distracção da formosa oriental, deitou água na chávena dela. Não tardou que a bela mulher se sentisse mole e sem forças caindo num sono profundo. Adolfo procurou a Pedra. Naquele momento entrou Ivanoel.
- Que fazeis no quarto com ela? – Exclamou atónito Ivanoel olhando para Adolfo semi nu. Após abraçar o amigo, Adolfo explicou com vivacidade os acontecimentos, continuando a procurar a Pedra.
- Mas vós… - Tentou intervir Ivanoel, sendo interrompido pelo companheiro que lhe estendeu a Pedra com os olhos brilhantes.
- Ei-la! – E friccionou-a como da outra vez. A luz apareceu e o guardião da Pedra fez-se presente com o seu sorriso bondoso.
- Meus filhos, fico contente por me convocarem. É uma alegria estar convosco novamente, depois de tantas vivências que tivestes em tão pouco tempo. Bravo Ivanoel, sois testemunha da afeição de Adolfo por vós e a vida mostrou-vos que as aparências enganam e o que conta é a voz do coração. Doce Adolfo, tudo fizestes por amor a Ivanoel, porém pareceis ter dado um passo em direcção à vossa masculinidade. Amor incondicional decerto, mas pareceis ter chegado a uma encruzilhada. Que dizem então os vossos corações?
- Eu amo-vos. – Confessou Ivanoel de lágrimas nos olhos. – Sejais Aegle ou Adolfo, são tudo formas de Amor. Pesa-me perder um para ficar com o outro mas gostava de ser feliz com Aegle.
- Eu… - Adolfo hesitava e ao mesmo tempo sentia a emoção a apertar-lhe a garganta. – Neste momento já não sei de nada…
Ivanoel chorou ao ouvir as palavras do amigo e abraçou-o, enquanto o Guardião proferia em tom sábio: - Deixai que a Pedra decifre os vossos corações.
Os dois choravam e as lágrimas banhavam a Pedra da Felicidade. Então, gradualmente, Ivanoel viu Adolfo transformar-se em Aegle. Louco de alegria pegou nela e beijou-a. Ela correspondeu-lhe mas depois fitou-o.
- Não sentireis a falta de Adolfo?
- Sim, mas é convosco que me sinto completo. – Declarou Ivanoel.
- Quem sabe um dia?... - Sorriu o Guardião despedindo-se do casal apaixonado.
Epílogo
- Adolfo! Adolfo! Onde estás? – A voz de Ivanoel soava ecoando nos verdes campos da sua terra natal. Uma criança de seis anos surgiu correndo.
- Estou aqui, papá. Olha, trouxe umas flores para a mamã! – E estendeu um ramo de flores variadas. Ivanoel riu-se.
- Gostas tanto de flores que não sei como vais virar cavaleiro quando cresceres.
- Uma coisa não impede a outra. – A voz de Aegle fez-se ouvir, enquanto pegava na criança ao colo e recebia as flores que lhe eram destinadas. – A felicidade reside em sermos o que somos… com amor.
Ivanoel sorriu e beijou-a diante do sorriso feliz de Adolfo.
Fim
Autoria de Florbela de Castro
2013
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